UMA BAITA ESPERANÇA!

Esta conversa é um papo reto, diante da proposta de Reforma do Ensino Médio. Tento mostrar que existe uma enorme expectativa em relação ao fato de que cientistas e profissionais da área de Educação possam responder prontamente, de modo competente e eficaz, às inúmeras e diversificadas demandas por métodos, materiais e projetos pedagógicos inovadores.

À importância política e econômica da Educação para o desenvolvimento da sociedade, soma-se ainda um aumento crescente do interesse pela Ciência e Tecnologia (de ponta) produzidas nos distantes laboratórios dos tigres asiáticos, dos Estados Unidos, da União Europeia e do Japão, todos reforçando, no imaginário coletivo, a idéia de que, por meio de suas “aplicações” a C&T, mudará para sempre nossas vidas, para melhor. Um olhar para o futuro.

Desafios para os cientistas e educadores. Nós não podemos mais ignorar o quanto estamos impregnados pela imagem de uma Ciência que triunfa sem cessar e que, por isso mesmo, já não pode parar mais de produzir sentidos positivos para a vida humana.

Se hoje tratamos de transgênicos, biotecnologia, clonagem, bioética, e nanotecnologia nas páginas de economia e política dos jornais, é porque estamos de tal forma imersos em uma cultura científica e tecnológica que não nos causa mais estranhamento ou preocupação quanto o conhecimento novo pode transformar nossas vidas.

Ao caro leitor que se interroga sobre a importância de ensinar bem Ciência e Tecnologia, tanto quanto a Leitura e a Matemática, nós diríamos que aí está o grande desafio do século XXI.

Afinal, não nos parece descabido mencionar, no atual contexto econômico e político, o fato de que o papel da Educação, nas sociedades contemporâneas, transcende, de forma muito clara, os objetivos tradicionais do ensino. Escola não pode continuar sendo chata e sem sentido para a vida, para o futuro.

É preciso (re) encantar crianças e jovens para uma escola renovada, interessante e divertida.

É fundamental que se compreenda a irreversibilidade de dois fenômenos atuais:

De um lado, não se pode mais, felizmente, por em questão os princípios democráticos que regem nossa sociedade: respeito à liberdade de expressão e ao pluralismo de ideias, universalização do ensino fundamental e médio, valorização da escola e do professor, gestão democrática das escolas, garantia de qualidade do ensino e vinculação da escola ao mundo do trabalho.

A luta continua pela igualdade de oportunidades.

De outro lado, temos a Ciência e Tecnologia como um binômio indissociável e, ao mesmo tempo, como práticas enraizadas culturalmente em nossa sociedade. Já não basta fazermos a antiga distinção entre Ciência pura e aplicada. A Ciência integra naturalmente nosso dia a dia.

Trata-se, enfim, de assumirmos um papel diferente em relação ao conhecimento e à formação do educando. Formar pessoas competentes e conscientes, produzir bens e serviços, criar bons empregos, são objetivos que estão muito além de um discurso economicista, sindical. Agora, é preciso ser sensível aos apelos humanistas em relação à Educação, como processo de reprodução de valores e comportamentos.

Por fim, queremos ressaltar que a Educação em Ciência e Tecnologia não se fará sem a participação, lado a lado, de cientistas e educadores. Todas as reflexões e estratégias para alcançar tal objetivo devem ser encaradas como uma tarefa coletiva.

Que se formem núcleos de pesquisas em Ciência e Tecnologia capazes de pensar saídas para os muitos impasses vividos, em nossos dias, na rica diversidade do patropi. Que sejam instalados escolas modelo e laboratórios didáticos em todas as escolas, bibliotecas e museus. Que se construam Parques Tecnológicos, centros de Ciência e Arte, nas capitais e no interior, no centro e na periferia!

Certamente os dilemas que dividem hoje nossos cientistas e educadores não desaparecerão, mas, estamos convictos de que o fim da ideologia utilitarista em Educação está próximo.

Resumo da ópera: é fundamental ter claro que difundir a Ciência é algo que somente se pode fazer com um sentido claro em favor da vida.

Uma baita esperança! Do verbo “esperançar”.

 

(*) Rinaldo Barros é professor – rb@opiniaopolitica.com

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