DE TICO E DE TECO E OUTRAS MILONGAS MAIS –

Tenho uma mana praticamente candanga, pois para o planalto se jogou faz uma era. Ao ler meus escritos diz que eu junto Tico com Teco e pronto: o texto nasce sem fórceps.

E no Tico e Teco da vida, na minha tradicional caminhada em Ponta Negra, eu me lembro de um depoimento que li sobre uma certa frieza humana nas relações entre europeus. Foi pensando e passando por um carrinho com CDs piratas, reproduzindo um funk, que presenciei na minha frente uma jovem magérrima, desdentada, dançando graciosamente e de maneira muito interessante.

 A mente automaticamente ficou feliz e matutou de como somos festeiros e espontâneos, mesmo diante de problemas sociais sérios e de miséria presente em boa parte da população.

Essa maneira alegre e falante que temos depõe a nosso favor e diminui o gelo da vida com o calor das manifestações populares diversas. Olhei contente para trás e incorporei naquela cadenciada dança mais ritmo à caminhada.

Mais à frente eu vi um bugueiro amigo, depois de já ter passado por vendedores de passeios, barraqueiros e ambulantes. Fiz então uma incursão mental no universo do turismo, seus personagens, sua sazonalidade, importância e de como movimenta setores da economia ao derredor de sua existência.

Uma coisa que faço ao caminhar é penetrar no mundo de determinadas pessoas, que vejo na andança, procurando interiorizar seu modus vivendi. E assim fiz com a vendedora de café.

Com o tempo fixei a convicção que o café simples, de 50 centavos, vendido no copinho descartável é muito melhor que os expressos harmonizados com biscoitinhos e balas dos shoppings.

Ao bebericar a dose de cafeína da senhora acompanhada do seu filho, eu a mentalizei acordando cedo, preenchendo várias cafeteiras, fazendo coxinhas, pastéis e montando o carrinho. Senti ela acordando o filho e colocando o carrinho num carro maior que transporta ambulantes para Ponta Negra e saindo no sol quente vendendo seus produtos.

Fiz um cálculo e, como são coisas bem baratas, mesmo vendendo tudo e pagando o transporte e fazendo compras para o dia de amanhã, percebi ser o lucro bem modesto. Mesmo assim seu semblante estava sereno e seu filho feliz. Se o carrinho do funk passasse certamente dançariam felizes.

Queria escrever muito mais, pena que textos longos não são bem vistos. Por isso fico por aqui.

E para a mana Leila, espero que o Tico e o Teco de hoje tenha alguma serventia intelectual ou astral. Luz!! E grato aos que leem meus escritos.

Flávio RezendeJornalista e ativista social

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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