ÍCONES, FLORES E LIVROS – 

Os símbolos comandam a vida humana. Neil Armstrong, ao posar na lua em 20 de julho de 1969, deixou dois símbolos: a bandeira do seu país e um livro, o mais importante de todos, a “Bíblia”, edição pequena, de meia polegada. O livro é quase sempre destinado ao bem, à beleza, à compreensão e ao conhecimento. Lembro dois reis poetas: Davi e Salomão, autores dos “Salmos”, dos “Cânticos dos Cânticos” e dos “Provérbios”. Lembro também dos poetas cantadores do nosso Nordeste, que trazem moral, beleza, história, santidades.

O livro é, notoriamente, o mais poderoso instrumento da sabedoria. Infelizmente, algumas vezes usado para o mal. Como “O Capital”, de Marx, usado em cruel ditadura soviética; “Minha Luta”, no monstruoso nazismo; e até o Livro dos Livros, a “Bíblia”, foi e continua sendo usado também como ferramenta de ódio teológico. O livro é essencial na formação das nossas crianças, no saber da maturidade, no consolo da velhice. No antigo Egito, depois de mortos, os nobres eram lacrados em pirâmides ao lado de um livro /papiro indicando “o caminho da luz”.

Já a flor é símbolo da harmonia; sendo vermelha simboliza o amor e a alegria. Luís de Camões, o poeta maior, dizia que o vermelho é a cor contente. Em Barcelona, com tradição do século XV, há celebração em que os homens presenteiam as mulheres com rosas vermelhas e delas recebem um livro. Por exemplo, a cada 23 de abril, as Ramblas se enchem de bancas de livros e flores e as livrarias fazem promoção. Neste ano, as livrarias venderam o equivalente a 90 milhões de reais. Aquele é o dia do padroeiro da Catalunha, São Jordi, o nosso São Jorge. A padroeira da cidade é Santa Eulália, boa fala. Nesse dia religioso, anonimamente, são deixados presentes de livros em parques, igrejas e outros locais. O livro “quer” ser lido.

O santo Jorge é turco da Capadócia, mesmo assim é o santo da Inglaterra, cultuado com fervor no Rio de Janeiro e em muitas outras cidades. Religiões diferentes o cultuam: a católica, a anglicana, a ortodoxa. Na umbanda baiana ele é Ogum ou Oxóssi, o Senhor da Guerra e das matas, de descendência iorubá.

O Dia do Livro foi oficializado pela Unesco em 1965. Antes disso, o rei Afonso XIII havia estabelecido, em 1926, o Dia do Livro Espanhol. Há fortes razões para que todo dia 23 de abril seja considerado especial: nascimento e morte de William Shakespeare, morte de Miguel de Cervantes. No Brasil, é a data de nascimento do fantástico poeta brasileiro, o alagoano Jorge de Lima (1893-1953), e também o Dia Nacional do Chorinho, consagrando o nascimento do imbatível compositor Pixinguinha (1897-1973).

Em nossos ásperos tempos, São Jorge, no Brasil, precisa matar vários dragões por dia. Por outro lado, precisamos valorizar e democratizar o livro e não apenas a cada 23 de abril, mas distribuí-los “à mão cheia”, todos os dias, como queria Castro Alves, e flores para pouca gente. Só para quem as merece.

Diogenes da Cunha Lima – Escritor, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

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