Submissão ou Desobediência –

“Terrível é a palavra NON (não em latim). Não tem direito nem avesso”, disse o padre Antônio Vieira. Ele que havia questionado a decência de o rei dizer não. Às vezes, a desobediência pode revelar a dignidade da não-submissão.

Na cidade de Susã, o rei do mundo, Xerxes, governava a Pérsia, da Etiópia à Índia, e fez uma festa de uma semana para o povo. Depois de muito vinho para todos, muitos embriagados, o rei com o coração alegre mandou chamar a rainha Vasti, que deveria comparecer vestida apenas com a coroa. Queria mostrar a beleza da mulher aos seus convidados. Com a maior dignidade pessoal, Altamira, a rainha, recusou-se, não seria exibida como objeto. Ouvindo os conselheiros, o rei decretou que a rainha perderia bens e privilégios para servir de exemplo às outras mulheres. Esse episódio está na “Bíblia”, no livro de Esther (estrela), que a partir daí começou a brilhar, nova rainha.

Parece que o futuro reconheceu a decência e a coragem da rainha Vasti, que foi mãe de Antaxerxes, o sucessor do rei. Isso aconteceu no século V antes de Cristo. Para mim, além de ser a primeira feminista que a história registra, a rainha, a duras penas, aprendeu a dizer não como o conhecido cancioneiro popular, Geraldo Vandré.

Henry David Thoreau (1817-1862), poeta norte-americano, praticante da simplicidade, escreveu “A Desobediência Civil”. Pregou que não se deveria pagar impostos aos EUA que era um país escravocrata e havia invadido e tomado terras de um país irmão, o México. O escritor aconselha muito claramente a não respeitar leis injustas. Dizer NÃO! A sua atitude influenciou o mundo inteiro, inclusive líderes como Gandhi, Martin Luther King; e escritores como Tolstoi, Bernard Shaw, Hemingway. Em sua homenagem, visitei o Lago Walder, a 3Km de Boston, em que viveu pescando e plantando batatas. Era também uma homenagem ao meu professor que me deu uma primeira lição de entusiasmo pelo autor.

O posicionamento da Rainha Vasti e de Thoreau são momentos de epifania, no gesto, no NÃO. É uma manifestação sagrada do ser humano. É tão dramática a negativa, que uma bandeira brasileira, a da Paraíba, prega a negação.

Neste momento, o povo brasileiro está dizendo NÃO à corrupção financeira, moral e política. Com o NÃO popular, o País vai sobreviver. O povo não se submete, rejeita vênias ao erro, à má administração, ao crime.

Diogenes da Cunha Lima – Escritor, poeta e presidente da Academia de Letras do RN

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores

 

 

 

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