ARTIGO: Certo é certo…

 Ana Luíza Rabelo Spencer

Eventualmente, é interessante parar para pensar na Natureza e nas suas criações. Os animais, tão chamados irracionais, lutam pela sobrevivência, têm uma vida dura, mas não trapaceiam, não mentem, tampouco escondem suas ações, sejam elas quais forem, de seu grupo. Ou eles seguem a regra imposta pelos seus ou vão embora, criando um novo grupo, com novas regras, no qual fica quem quiser se adaptar.

O homem, o “racional” da história, é uma das mais sublimes criações, possui capacidade ilimitada, constrói casas e coisas para o seu conforto, inventa remédios, cria e destrói. Vai além da imaginação da maioria e, dizem, já foi até a lua! Esse mesmo homem, tão inteligente, aprende rápido a “emburrecer”. Acredita que pode burlar as regras de convivência que ajudou a criar, mente, maltrata e faz, dissimuladamente, coisas que seriam condenadas por seu meio, coisas que não deveria fazer.

O que é certo é certo. Lei é lei. Regras de convivência e conveniência são claras e de fácil acesso a todos, então por qual razão o “esperto” engana, rouba, mata e, de um modo geral, caminha contra esses princípios?

Será culpa de Adão e Eva? Aqueles que quebraram a primeira regra e nos ensinaram o gostinho de errar? Jogar lixo na rua é tão errado quanto mentir ou roubar. Tomar o que não lhe pertence, enganar, iludir e torturar são formas de descumprir o “contrato” que assinamos ao aceitar viver em sociedade. Quando o regime militar de 1964 pregava “Brasil, ame-o ou deixe-o”, estava apenas usando a frase certa no contexto errado. A grande questão é: “Sociedade, aceite-a ou mude-se”.

Todos devemos entender que a convivência requer cuidado, requer respeito. Querer o certo para si, buscar seus direitos, é dar ao próximo a chance de querê-los também. Não é preciso “pisar em ovos” ou tratar o outro como se de porcelana ele fosse, mas tratá-lo do modo como gostaríamos de ser tratados. Respeitar limites e regras. Dar o que gostaria de receber. Porque o que é certo, o que é justo e bom, não muda. O que muda são os interesses de cada um.

Desviamos as virtudes que nos foram dadas e as transformamos em “pecados”. Somos preguiçosos, arrogantes, invejosos, sem parar para pensar que somos iguais em capacidade e, se deixarmos de lado os maus hábitos, seremos senhores de nós mesmos, seremos capazes de agir, de buscar, de conquistar o que desejarmos, desde que não deixemos de lado a boa-fé, o bom humor, a boa vontade e a compreensão e respeito mútuos.

Começando dentro de casa, dando o exemplo e não “escorregando”, construiremos um mundo do qual nos orgulharemos e no qual viveremos em paz.

Ana Luíza Rabelo Spencer – Advogada (rabelospencer@ymail.com)

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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