CONVIVÊNCIA –

Quero me abster de tratar tecnicamente do conceito de condomínio residencial (horizontal ou vertical) e tecer algumas considerações sobre as relações sociais formadas e experimentadas, na sua prática diária, pelos agentes consumidores destes espaços.

Em que pese ser uma tipologia de habitat urbano ainda recente, em Natal, surgiu no inicio dos anos 90, direcionado para grupos sociais de classe média e alta, norteado principalmente pelo foco de estar mais protegido. Hoje, também comum, entre as classes menos favorecidas, pela mesma razão.

Claro que cada agrupamento está homogeneizado conforme seus parâmetros socioeconômicos, determinando assim a localização, o porte e o padrão que concerne à moradia nestes espaços.

Afora outras razões pela opção de “auto-segregação”, o item segurança é apontado, entre outros, como o de maior destaque em morar em condomínios fechados.

Desse modo, a segregação urbana: a induzida e a auto-segregação se apresentam como sendo, a primeira relacionada às camadas menos abastadas que ocupam as áreas mais precárias, enquanto que a segunda constituem os condomínios fechados de alto padrão econômico, gerando uma fragmentação da cidade, onde os semelhantes passam a conviver entre si, rompendo-se com a possibilidade de coabitar com as diferenças.

Como anda a sociabilidade entre os moradores que neles convivem?

Sem generalizar, é possível observar que quanto maior o status do condomínio, em todos os seus aspectos, maior aparenta o distanciamento do convívio social entre seus moradores.

As citações “saio pela manhã cedinho e só retorno à noite”; “não tenho nenhuma aproximação com meus vizinhos”, carregam “indiferenças” inconscientes que certamente inibem a prática da cordialidade instaurada pela regra em que “quanto menos contato, menos problema”.

O condomínio é “fechado” e como tal “eu” também me fecho a manter atividades sociais e recreativas que me façam interagir com os demais e, consequentemente usufruir da oportunidade que a “vida” em condomínio possibilita a partir de um conjunto de relações culturais e ambientais ali instalados.

Aproveitar a ocasião favorável para ir além do “oi” e ser mais receptivo ao “como vai você” ou ao “vamos degustar um vinho” ou ainda “que tal ouvirmos uma boa música” ou ainda mais ao “uma boa conversa”, pode ser um bom caminho para aceitar o outro como parte integrante para um convívio salutar.

Certamente isso colaborará para que os laços sociais e de convivência em espaços compartilhados, sejam inovadores e fortalecedores de boas amizades.

Não deixe que o isolamento tijolo-a-tijolo contamine o seu sorriso e “acolha”, na fraternidade humana, a aproximação com o seu semelhante.

Deus abençoará você e seu condomínio.

 

CARLOS ALBERTO JOSUÁ COSTA (Engenheiro Civil e Consultor)

Ponto de Vista

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