A área minerada no Brasil saltou de 31 mil hectares em 1985 para 206 mil hectares em 2020, um aumento de mais de 564% ou de seis vezes o tamanho de 35 anos atrás. Os dados são de um levantamento da organização MapBiomas com base em imagens de satélites e em inteligência artificial publicado nesta segunda-feira (30).
Em resumo, o estudo do MapBiomas também revela que:
A quase totalidade, ou 93,7%, do garimpo do Brasil está na Amazônia, segundo o MapBiomas. No caso da mineração industrial, o bioma responde por praticamente a metade (49,2%) da área ocupada pela atividade.
Outro alerta do levantamento mostra que enquanto a expansão da mineração industrial se deu em um ritmo constante, de 2,2 mil hectares por ano e sem grandes variações entre 1985 e 2020, o garimpo deu um salto na década passada: se de 1985 a 2009 o ritmo de crescimento da garimpagem pelo país era baixo, em torno de 1,5 mil hectares por ano, a partir de 2010 a taxa de expansão quadruplicou para 6,5 mil hectares por ano.
Com isso, em 2020, as imagens de satélite mostram que a área ocupada pelo garimpo (107,8 mil hectares) já é maior que a da mineração (98,3 mil hectares) no território nacional.
Um levantamento com base em dados do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostra que o desmatamento por mineração na Amazônia entre janeiro e 13 de agosto de 2021 é o maior já registrado no período e área já supera o registrado nos 12 meses de 2020.
Vale a pena destacar que o garimpo é a extração de minérios predatória e ilegal, geralmente relacionada ao ouro e não à indústria. Já a mineração está relacionada à atividade industrial e a produção de ferro e alumínio, podendo ser legal (quando tem autorização da Agencia Nacional de Mineração) ou ilegal.
O levantamento alerta que o crescimento do garimpo se dá, principalmente, em áreas protegidas e de conservação ambiental: em 2020, metade da área nacional do garimpo estava em unidades de conservação (40,7%) ou terras indígenas (9,3%).
As terras indígenas Kayapó (7.602 ha) e Munduruku (1.592 ha), no Pará, e Yanomami (414 ha), no Amazonas e Roraima, são os três territórios indígenas mais afetados pelo garimpo, segundo o MapBiomas.
O Pará também concentra 8 das dez unidades de conservação com maior atividade garimpeira do país, sendo as três maiores: a Área de Proteção Ambiental do Tapajós (34.740 ha), a Flona do Amaná (4.150 ha) e o Parna do Rio Novo (1.752 ha).
Quando as imagens são analisadas por municípios, os dados revelam que o garimpo no Brasil se concentra principalmente entre o sul do Pará e o norte do Mato Grosso, nas cidades de Itaituba, Jacareacanga e Peixoto de Azevedo.
Fonte: G1
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