Categories: Blog

Após rejeitar ofertas de vacinas da empresa, Bolsonaro agora pede à Pfizer para antecipar entregas

Mulher segura frasco rotulado como de vacina contra Covid-19 em frente a logo da Pfizer em foto de ilustração
30/10/2020 REUTERS/Dado Ruvic

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu nessa segunda-feira (14) com representantes da farmacêutica Pfizer a fim de pedir que a empresa adiante o calendário de entregas de vacinas contra Covid-19, informou o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz.

Acompanhado de ministros, Bolsonaro conversou por videoconferência com o presidente da farmacêutica para a América Latina, Carlos Murillo.

A Pfizer é a empresa que teve ofertas de venda de vacinas contra Covid-19 rejeitadas pelo governo desde o segundo semestre de 2020. O governo afirma que o laboratório estabelecia condições “draconianas” nos contratos. A principal queixa de Bolsonaro e do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, era a de que a Pfizer não se responsabiliza por eventuais efeitos colaterais da vacina.

“Um dos assuntos [tratados na reunião] foi exatamente a possibilidade de antecipar as doses inicialmente contratadas. A gente tem o primeiro contrato de 100 milhões de doses cujo cronograma estima até setembro receber a totalidade dessas doses. O que a gente pediu, entre outros assuntos, foi verificar a possibilidade de antecipar ao máximo as doses contratadas dentro deste primeiro contrato”, afirmou Cruz.

Segundo o secretário, não foi falado em adiantar a entrega em um período de tempo específico. Cruz afirmou que os representantes da Pfizer disseram que o momento é de muita demanda, mas que a empresa se esforçará ao máximo para atender ao pleito do governo brasileiro.

De acordo com Rodrigo Cruz, o governo federal também avalia uma proposta para a compra de doses da vacina vacina contra Covid-19 da farmacêutica para aplicação em 2022. A Pfizer fez a oferta ao Ministério da Saúde, que agora estuda internamente a compra, segundo o secretário.

No Palácio do Planalto, além de Bolsonaro, estavam presentes à reunião com o presidente da Pfizer os ministros da Saúde, Marcelo Queiroga; da Casa Civil, Luiz Eduardo Ramos; das Relações Exteriores, Carlos França; além do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do secretário de Assuntos Estratégicos da Presidência, almirante Flavio Rocha.

O encontro não constava da agenda oficial do presidente Jair Bolsonaro até cinco horas depois da realização da reunião. O Palácio do Planalto publicou fotos do encontro, mas não forneceu informações sobre o que foi discutido entre Bolsonaro e Murillo.

Cronograma atual

O governo federal assinou dois contratos com a Pfizer, cada um para a compra de 100 milhões de doses.

A projeção de entregas de vacinas Covid-19 do Ministério da Saúde, atualizada semanalmente, da última quarta-feira (9) prevê o seguinte cronograma de entrega de doses da Pfizer até o final de 2021:

Primeiro contrato:

  • 12 milhões de doses em junho de 2021;
  • 8 milhões de doses em julho de 2021;
  • 76 milhões de doses em agosto e setembro de 2021.

 

Segundo contrato:

  • 100 milhões de doses no quarto trimestre de 2021.

 

As remessas entregues até esta segunda-feira foram distribuídas em lotes:

  • 29 de abril: 1 milhão de doses
  • 5 de maio: 628.290 mil doses
  • 12 de maio: 628.290 mil doses
  • 19 de maio: 629.460 mil doses
  • 26 de maio: 629.460 mil doses
  • 1º de junho: 936 mil doses
  • 2 de junho: 936 mil doses
  • 3 de junho: 527.670 mil doses
  • 8 de junho: 526.500 mil doses
  • 9 de junho: 936 mil doses
  • 10 de junho: 936 mil doses

Governo não quis comprar

A Pfizer ofereceu 70 milhões de doses ao Brasil em agosto de 2020, que poderiam começar a ser entregues em dezembro do mesmo ano. Mas o governo brasileiro não quis. Só depois, em março de 2021, no auge da pandemia, foi firmado um contrato.

A recusa das primeiras ofertas da Pfizer é um ponto da atuação do governo avaliado pela Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado que investiga as ações e omissões do governo no combate à pandemia de Covid-19.

Veja o que foi dito até aqui da cronologia dos contatos entre a Pfizer e o governo federal:

  • 15 de agosto de 2020: foi nessa data que, segundo a Pfizer, a farmacêutica ofereceu 70 milhões de doses ao Brasil, com primeiras remessas previstas para dezembro.
  • 12 de setembro de 2020: cúpula do governo brasileiro, inclusive o presidente Jair Bolsonaro, recebe uma carta da Pfizer, com oferta de doses, segundo o ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten.
  • 9 de novembro de 2020: Wajngarten toma conhecimento da carta e descobre que ela está há dois meses sem resposta. O ex-secretário, conforme contou à CPI, decide procurar representantes da empresa.
  • 9 de novembro de 2020: No mesmo dia em que respondeu a Pfizer, segundo Wajngarten, ele foi até Bolsonaro para colocar o presidente da República em contato com presidente da Pfizer no Brasil. O ministro da Economia, Paulo Guedes, estava presente a essa reunião. Guedes, de acordo com Wajngarten, conversou rapidamente com a Pfizer por telefone e defendeu a vacinação.
  • 17 de novembro de 2020: Wajngarten relata que, nesse dia, teve uma reunião com o presidente da Pfizer no Brasil, Carlos Murillo e a diretora de Comunicação da empresa.
  • 7 de dezembro: nova reunião de Wajngarten com representantes da Pfizer. Desta vez, segundo o ex-secretário, a empresa mostrou a caixa em que as doses são acondicionadas na temperatura necessária para não perderem a validade.
  • 7 de janeiro de 2021: a Pfizer divulga uma nota em que revela que, em agosto de 2020, ofereceu a venda de 70 milhões de doses ao governo brasileiro, mas o contrato foi recusado pelo país.
  • Março de 2021: no auge da pandemia e do colapso na saúde pública, o governo anuncia assinatura do contrato com a Pfizer para o fornecimento de 100 milhões de doses, distribuídas pelos próximos meses.

  • 100 milhões de doses no quarto trimestre de 2021.

 

As remessas entregues até esta segunda-feira foram distribuídas em lotes:

  • 29 de abril: 1 milhão de doses
  • 5 de maio: 628.290 mil doses
  • 12 de maio: 628.290 mil doses
  • 19 de maio: 629.460 mil doses
  • 26 de maio: 629.460 mil doses
  • 1º de junho: 936 mil doses
  • 2 de junho: 936 mil doses
  • 3 de junho: 527.670 mil doses
  • 8 de junho: 526.500 mil doses
  • 9 de junho: 936 mil doses
  • 10 de junho: 936 mil doses

 

 

 

 

Fonte: G1

Ponto de Vista

Recent Posts

Família de homem assassinado em presídio do RN diz que só descobriu morte dois meses depois

Um homem de 39 anos que cumpria pena no sistema penitenciário do Rio Grande do…

3 dias ago

Justiça Eleitoral realiza atendimentos no Feriadão do Dia Trabalhador no RN; confira locais e horários

A Justiça Eleitoral realiza atendimentos neste feriado do Dia do Trabalhador (1º) e também neste…

3 dias ago

Fim da escala 6×1: mais tempo para descanso e família é prioridade

Mais tempo com a família, para cumprir as obrigações em casa, passear e até mesmo…

3 dias ago

Acordo Mercosul- UE entra em vigor nesta sexta após 26 anos

Após 26 anos de negociações, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia entra em…

3 dias ago

Suspeito de participar de roubo de R$ 2,5 milhões em joias é preso em Mossoró

Um homem de 31 anos, suspeito de participar do roubo de joias avaliadas em cerca de…

3 dias ago

Professores de escolas municipais de Natal paralisam atividades em protesto por reposição salarial

Aulas em escolas da rede municipal de Natal foram suspensas nesta quinta-feira (30) por causa…

3 dias ago

This website uses cookies.