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Analfabetismo atinge 11,3 milhões de brasileiros; negros têm dois anos de estudo a menos que brancos

A doméstica e cuidadora de idosos Eliane Santiago tentou estudar por pelo menos três vezes nos seus 48 anos de vida. Quando tinha 9 anos entrou pela primeira vez na escola da cidade onde nasceu, no interior da Bahia.

Já no Rio de Janeiro, Eliane tentou estudar por mais dois anos em um curso noturno, tempos depois, em um projeto de alfabetização de adultos em uma igreja. Mas de novo a vida se confrontou com o banco escolar.

Dos três filhos de Eliane, apenas uma concluiu a educação básica, os outros dois tem o fundamental incompleto.

A realidade da família expressa bem os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-Contínua), Educação, divulgada, nesta quarta-feira (19), pelo IBGE.

Em 2018, ainda havia no país 11,3 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais de idade. A taxa caiu lentamente nos últimos, apenas 0,1 ponto percentual em relação a 2017, registrando 6,8%.

Eliane e os filhos são negros, exatamente o grupo mais afetado pelas desigualdades no acesso à educação. Entre os brancos, o analfabetismo atingiu 3,9% da população, já entre os negros, a taxa foi de 9%. As regiões Norte e Nordeste, onde Eliane nasceu, tem também os maiores índices de analfabetismo do país.

Os filhos da cuidadora de idosos são representativos do quadro mostrado pela Pnad: 52% da população brasileira não tinha terminado a educação básica em 2018. A taxa de conclusão foi de cerca de 56% entre os brancos e de 40% entre os pretos e pardos.

Dois anos separam também os brancos e negros em relação ao tempo dedicado aos estudos. A média para os brancos com 25 anos ou mais de idade foi de 10,3 anos de estudo e para os negros, de 8,4 anos.

Garantir o estudo na idade adequada é outro desafio. Entre 15 e 17 anos, 69,3% estavam na série correta em relação à idade. Novamente nesse aspecto, a Pnad mostra que há grandes diferenças regionais e de cor e raça.

No Nordeste, um terço dos adolescentes não frequentava a série adequada. No país, a taxa de adequação para pessoas brancas de 15 a 17 anos foi de 76,5% e para as pretas e pardas, de 64,9%.

Entre os estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), exatamente aqueles que não puderam estudar na idade adequada, a Pnad mostra que 73,7%, do contingente matriculado no ensino fundamental era de pessoas de cor preta ou parda. As mulheres foram a maioria dos matriculados na EJA ensino médio. Já na EJA fundamental, os homens ficaram ligeiramente em maior número.

 

Fonte: Agência Brasil

Ponto de Vista

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