ALTERAÇÕES NO PALADAR PÓS QUIMIOTERAPIA –
Para as pessoas em tratamento oncológico, a disgeusia é um dos efeitos mais comuns, atingindo cerca de 50% das pessoas que passam por tratamentos quimioterápicos ou radioterápicos. O paladar é o sentido humano que permite reconhecer os sabores, sendo a língua o principal órgão responsável. As papilas gustativas são as receptoras de sabor, células epiteliais, que contém receptores gustativos e que graças às reações químicas dos alimentos levam estímulos ao nosso cérebro, que, por fim, é interpretado como sabor.
No tratamento quimioterápico, a disgeusia pode afetar também o olfato (já que está diretamente relacionado ao paladar) e resultar em falta de apetite, aversão a alguns alimentos (ou a todos) e perda de peso. Essa última, aliás, pode gerar um quadro grave de risco nutricional ou, até mesmo, desnutrição, dificultando a absorção de nutrientes e, dessa forma, comprometendo o tratamento.
Ainda segundo o Consenso Nacional de Nutrição Oncológica do INCA, alguns tumores como os de cabeça e pescoço, pulmão, pâncreas, fígado e esôfago, estão relacionados a maiores riscos de desnutrição. Aliás, a perda de peso é um sintoma que pode afetar mais de 80% dos pacientes com câncer. Por isso, a realização de uma avaliação do estado nutricional e a terapia nutricional para o paciente em tratamento oncológico são pontos de fundamental importância para sua saúde.
No tratamento oncológico, a disgeusia pode afetar o paladar do paciente em cinco formas diferentes, a principal é fantogeusia, quando o paciente sente de forma constante um sabor na boca, sendo os mais comuns no tratamento oncológico, os sabores amargo e metálico. Outro bastante comum é a hipogeusia, que é quando a capacidade de sentir alguns tipos de sabores se torna limitada, reduzindo a sensibilidade gustativa.
De maneira geral, a disgeusia é passageira e, em casos de pacientes em tratamento oncológico, pode se prorrogar por até quatro semanas, após o término das sessões de radioterapia ou quimioterapia. As alterações do paladar também mudam a forma deste paciente se alimentar e, consequentemente, sua qualidade de vida.
Existem algumas dicas nutricionais para reduzir esses efeitos, escolher alimentos que tanto o cheiro quanto o sabor lhe agradem, se o gosto metálico constante estiver incomodando, experimentar utilizar talheres de plástico ou de madeira, chicletes de menta ou doces duros, podem disfarçar o sabor amargo na boca. Experimentar temperos diferentes, principalmente, com ervas como manjericão, orégano, coentro, entre outros.
Patrícia Lino – Nutricionista da Casa Durval Paiva – CRN 35921
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