O avanço do dólar ante o real impulsionou os preços da indústria em setembro, afirmou nesta terça-feira, 27, Alexandre Brandão, gerente do Índice de Preços ao Produtor (IPP) no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apenas no mês passado, a depreciação do câmbio chegou a 11%, notou o pesquisador. O IPP avançou 3,03% no período, a maior taxa da série, iniciada em janeiro de 2014.
Segundo o pesquisador, a alta atinge desde commodities (soja e suco de laranja) e bens precificados em dólar (como aviões) até setores que não teriam muito espaço para reajustar preços na conjuntura atual. Isso porque muitas empresas contraíram dívidas em dólar ou precisam importar matérias-primas para a produção. “É uma pressão de custo, assim como a energia elétrica. Então, são vários efeitos que vão acontecendo, mesmo quando o mercado (de destino) é o brasileiro”, disse.
O estímulo às exportações, diante do dólar valorizado, também acaba impactando os preços no mercado interno, como acontece no caso das carnes, explicou Brandão. “Com isso, você aumenta os preços da carne nacional”, afirmou. Além disso, o Brasil é importador de adubos, que estão mais caros diante do câmbio e afetam o custo da pecuária.
Fora o câmbio, os avanços nos preços em dólar de petróleo e minério de ferro em setembro foram impulsos adicionais ao IPP, notou o pesquisador. No mês passado, a inflação da indústria extrativa avançou 12,50%.
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