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Afeganistão: quase 23 milhões vão sofrer insegurança alimentar aguda

Cerca de 22,8 milhões de afegãos, mais de metade da população do país, estarão neste inverno em situação de insegurança alimentar aguda, levando o país a uma das piores crises humanitárias do mundo. O alerta foi feito hoje (25) por agências da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Neste inverno, milhões de afegãos serão forçados a escolher entre migrar ou morrer de fome, a menos que possamos aumentar nossa ajuda para salvar vidas”, disse David Beasley, diretor executivo do Programa Alimentar Mundial (PAM), em comunicado conjunto com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO).

A crise alimentar no Afeganistão já é mais grave do que na Síria ou no Iêmen. Apenas a República Democrática do Congo (RD Congo) está numa situação mais desesperadora, disseram funcionários da ONU à agência de notícias francesa AFP.

“O Afeganistão está agora entre os piores desastres humanitários do mundo, senão o pior”, acrescentou Beasley.

“A contagem regressiva para o desastre começou e se não agirmos agora, teremos o desastre total nas nossas mãos”, alertou.

Sob os efeitos combinados da guerra, aquecimento global e crises econômicas e de saúde, mais de 50% da população afegã estarão neste inverno nos níveis 3 (crise alimentar) e 4 (emergência alimentar) do índice IPC (Quadro Integrado de Classificação de Segurança Alimentar), desenvolvido em colaboração com a ONU.

O estágio 3 é caracterizado por subnutrição aguda grave ou incomum e o estágio 4, por subnutrição aguda muito elevada e mortalidade excessiva. O último estágio (5) é o da fome.

Esse é o número mais alto desde que as Nações Unidas começaram a analisar esses dados no Afeganistão, há dez anos.

De acordo com o PAM, 37% mais afegãos sofrem atualmente de insegurança alimentar aguda em comparação com abril de 2021. Entre esses, 3,2 milhões de crianças menores de cinco anos sofrerão de subnutrição aguda até o fim do ano.

O Afeganistão está devastado por mais de quatro décadas de conflito e sofre as consequências do aquecimento global, que levou a secas severas em 2018 e 2021.

A sua economia estagnou desde que os talibãs assumiram o poder em agosto, o que levou a comunidade internacional a congelar a ajuda da qual o país já dependia fortemente.

 

 

 

 

Fonte: Agência Brasil

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