ADULTIZAÇÃO INFANTIL –

Foi necessário que o influenciador paranaense, Felipe Bressanim Pereira, o Felca, denunciasse a erotização infantil nas redes sociais para as autoridades sanitárias do país abrirem os olhos para a gravidade do problema.

A tal adultização infantil é um fenômeno que se manifesta quando crianças são expostas ao mundo adulto antes do tempo, mediante acessos a conteúdos inadequados para suas faixas etárias.

Aí se encaixam as pressões para assumirem papéis adultos como cuidar de irmãos mais novos, trabalhar para ajudar financeiramente a família, submetê-las a cobranças excessivas no ambiente escolar ou esportivo, entre outras situações.

Quando a criança se torna adulta antes do tempo envelhece prematuramente, perde o impulso criativo, a espontaneidade e, o mais importante, a capacidade de brincar.

O indivíduo atingir esse estágio antes do tempo já é de uma crueza chocante. Agora imaginemos o pior dos absurdos: ser vítima da exploração sexual na infância. Os exemplos que constatamos a cada hora e a todo instante são de abalar até corações insensíveis.

Não sei ao certo qual o tamanho da influência negativa que levará uma criança, quando atingir a realidade da fase adulta e notar que não conheceu a infância, chegando até a questionar sobre a sua existência.

A liberdade de acesso às redes sociais desempenha papel importante nesse contexto devastador na evolução natural da criança. A facilidade e o desregramento na utilização de tais componentes deixarão rastros negativos que influenciarão o indivíduo na idade adulta pelo resto da vida.

Eu fui criança e vivi bem a infância, graças a Deus!  Eu pratiquei futebol com bola de meia no meio da rua, empinei pipas, joguei “biloca” com bolas de gude, raptei galinhas da vizinhança na Sexta-Feira Santa e malhei Judas no Sábado de Aleluia. Isso respeitando os mais velhos e fiel às minhas obrigações da idade.

Fui entender de sexo através dos “catecismos” pornográficos de Carlos Zéfiro, adquiridos nas bancas de jornais da época. Os pais não tratavam do assunto porque era considerado tabu. Guardo belas recordações da época.

E hoje? Hoje, se a criança ou o adolescente não tiver um mínimo de informação familiar acerca do assunto estará ao deus-dará, entregue à própria sorte. Presa fácil dos ladrões de consciências das redes sociais ou dos exemplos negativos de colegas e amigos já contaminados com o vírus prematuro da adultização.

Não existe como extirpar o telefone celular do cotidiano familiar, sequer inibir a sua utilização pela criança na idade inadequada. Isso a deixaria complexada perante amigos e colegas, pelos questionamentos que lhes imputariam.

Para evitar o pior é necessário um mínimo de esclarecimento familiar sobre sexo e outros assuntos que interfiram na boa educação da criança, porque o exemplo de casa vai à praça, sim senhor!

Ou dedicamos mais atenção às nossas crianças no âmbito familiar ou as poremos à disposição das influências perniciosas que dominam a sociedade brasileira. A disputa é desigual, mas a gratidão virá no futuro quando elas sentirem haver escapado da adultização.

 

 

 

José Narcelio Marques Sousa – Engenheiro civil

As opiniões contidas nos artigos/crônicas são de responsabilidade dos colaboradores
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