ABORTO: UM CRIME HUMANITÁRIO, Uma agressão espiritual − José Carlos Gentili

ABORTO: UM CRIME HUMANITÁRIO, Uma agressão espiritual −

O que é um feto humano, senão o princípio da vida, após a relação de uma mulher e de um homem, como realizam os povos em seus processos civilizatórios há milhões de anos!

A gestação durante nove meses guarda um processo físico de total transformação, desde o momento em que o espermatozoide masculino alcança o óvulo feminino, dando início à fecundação de um novo ser, protegido pelo líquido amniótico, até a délivrance, como chamam os ginecologistas.

Sempre afirmo que os corpos não são donos das almas; mas sim, as almas é que ocupam os corpos numa ambivalência esotérica, espiritual.

As almas são infinitas, enquanto que os corpos guardam a finitude, regidos pela senectude.

A maternidade é algo mágico, transcendente, evolutivo, transformador da vida em outras vidas, a formar uma cadeia genética transbordante de historicidade.

Permitir o aborto é legalizar a morte, o fim da vida, irromper uma sequência vital, entronizar o crime como procedimento normal, virtuoso.

Trago à baila, fato inusitado, acontecido em Brasília, no dia 22 de dezembro de 1970, no Hospital da L2 Norte, quando o obstetra Manoel de Carvalho Branco Neto ao terminar a uma crítica cesárea de minha esposa Marilene, disse-me, de forma lacônica: “A criança nasceu, tem seis meses e não deverá viver 24hs”.

Os ossos do calcâneo inexistiam em sua completude, condição delimitadora do estado fetal.

– Respondi-lhe, também, com extrema serenidade e frieza – O Criador tem seus desígnios!

À época, meus amigos Dr. Victor Jacobina Lacombe e Dr. Ítalo Nardelli, criadores da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Distrito Federal, este último irmão do meu companheiro na Federal – Delegado Dante Nardelli, inauguraram a primeira incubadora vinda do Japão, cujo experimento se deu com o recém-nato em comento.

Duas abnegadas enfermeiras revezaram-se, diuturnamente, no comando do instrumento, considerando a sobrevivência do paciente como um verdadeiro troféu profissional.

Então, o feto redivivo foi incubado e assim permaneceu durante dois meses, quando alcançou o nono mês de nascimento/morte, deixando o hospital para encantamento dos familiares e alegria da vida.

Dei-lhe o nome de Luciano – filho da Luz!

 

 

 

José Carlos Gentilli – Jornalista, escritor, membro da Academia de Ciências de Lisboa e Presidente Perpétuo da Academia de Letras de Brasília

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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