A TORCIDA É CONTRA, MAS A AUDIÊNCIA PERMANECE FIEL –
Outro dia voltei a refletir sobre curioso fenômeno humano: existem pessoas que parecem colocar o sorriso na poupança, guardado com tanto cuidado que raramente o deixam circular. Símbolo simples de simpatia e convivência, o sorriso, para alguns, é tratado como se fosse moeda escassa, poupado, economizado, quase escondido.
Talvez imaginem que cumprimentar o semelhante diminui sua importância. Caminham entre os demais como se carregassem uma invisível coroa, convencidos de que ocupam lugar superior a tudo e a todos, exceto, curiosamente, a si próprios, pois a vaidade costuma ser o espelho em que mais se contemplam.
Sempre digo, com certa ironia, que sou daqueles que possuem milhões de amigos. Contudo, quando se trata dos verdadeiros, daqueles que cabem no território da confiança e do afeto, todos poderiam viajar confortavelmente dentro de uma velha Kombi. A amizade real é assim: não se mede por multidões, mas pela qualidade de poucos.
Foi lembrando disso que, outro dia, entrei em loja de tintas, na Jatiuca e deparei com uma dessas figuras que parecem imaginar-se o próprio Papa sentado em seu trono no Vaticano, distribuindo ou negando atenção conforme os humores do momento. Como ele me mirava, fiz o que sempre faço diante de qualquer pessoa: cumprimentei-o respeitosamente.
A resposta foi um leve e brusco movimento de cabeça, algo que me recordou, com certo humor involuntário, os gestos altivos de Vorcaro quando estava fora da jaula, mandando e desmandando em territórios onde poucos ousavam contrariá-lo. Não houve palavra, não houve sorriso, apenas o gesto seco de quem imagina que a cordialidade pode diminuir sua importância.
Segui com minhas compras. Contudo, percebi algo curioso: o “gentil personagem” me observava repetidamente. Cada vez que nossos olhares quase se encontravam, ele prontamente acionava seu iPhone, provavelmente um modelo que só será lançado em 2027, e virava o rosto, como se estivesse ocupado demais para a trivialidade de um simples bom dia.
Assim seguimos naquele curioso teatro silencioso. De minha parte, tentei ser simpático de todas as formas possíveis. Da parte dele, porém, não houve autorização, a vida tem dessas pequenas comédias humanas. No fundo, aprendi algo simples observando situações assim: há pessoas que nunca irão torcer por você, mas também jamais perderão um único momento de sua trajetória.
A torcida é contra, mas a audiência, curiosamente, permanece fiel. Justamente por tal motivo, que amo a vida, vez que tais criaturas me incentivam a ser como sou.
Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras
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