A SOLIDÃO FELIZ –
Outro dia estive na capital universal do samba, futebol e alegria, o Rio de Janeiro, onde na sede da Academia Brasileira de Letras, representando a congênere Alagoana, fui empossado como membro da diretoria do recém criado “Fórum das Instituições Culturais Oficiais – FAEAL” da nossa pátria.
Na manhã do mesmo dia, visitei a Biblioteca Nacional, não sem antes degustar quitutes deliciosos no restaurante Amarelinho, ainda hoje localizado no pavimento térreo do prédio onde o aplaudido Jorge de Lima, manteve seu consultório medico e escritório literário cultural, à época frequentado por iluminadas cabeças pensantes da nação.
E ali sentado no coração da Cinelândia, palco de grandes movimentações que marcaram a história da republica, comecei a verificar o comportamento das pessoas que em movimento acelerado, por lá passavam aparentando, misto de medo mas também confiança de que não seriam ainda naquele instante abordados por mendigos, drogados, trombadinhas e afins, e facilmente entendi que estar cercado por semelhantes, mas sentir-se recluso é uma experiência comum e paradoxal.
Reconheci estar ali vivendo certo tipo de abandono social, pois a presença física dos passantes, em nada preenchia a necessidade que possuía de manter certa conexão emocional, uma vez que gostaria muito de naquele ambiente lotado, estar a conversar, despreocupadamente com alguém, mas sentia-me receosamente sozinho.
Esforcei-me muito para superar tal sentimento, pensei que minutos depois estaria frequentando o ambiente da casa de Machado de Assis, a ABL, reduto dos grandes literatos brasileiros em todos os tempos, e só assim consegui incorporar ao coração um estado de contentamento e bem-estar.
Assim, assumi a ideia de ser a solidão feliz, não isolamento social permanente, mas a capacidade de apreciar e valorizar a si próprio, não somente como companhia, mas ferramenta poderosa, para recarregar energias, desenvolver independência emocional e fortalecer a autoestima e em um mundo cada vez mais conectado e agitado, encontrando prazer em estar comigo mesmo, sem dúvidas habilidade valiosa que contribui para um bem-estar geral. Apesar de tudo, o Rio de Janeiro continua lindo.
Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras
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