A PREVISÃO É DE “SALVE-SE QUEM PUDER!” – Ney Lopes

A PREVISÃO É DE “SALVE-SE QUEM PUDER!” –

Foi dado o “ponta pé” inicial da “corrida” presidencial, com os debates televisivos.

Cedo para previsões.

Apenas, análise isenta, tendências e construção de cenários.

Amanhã, 16,  começa a campanha nas ruas, comícios, carreatas e propaganda na internet, desde que não seja paga. Horário eleitoral na TV e no rádio só no dia 31 de agosto

Realça a insistência do PT com a candidatura de Lula.

O petismo esgotará todos os recursos judiciais para substituir Lula pelo seu vice, Fernando Haddad.

A estratégia é transformar decisões jurídicas adversas em benefícios eleitorais, alegando perseguição política e não haver mais tempo de retirada da foto de Lula da urna eletrônica.

Soa mal para os leigos em direito eleitoral a hipótese de Lula poder candidatar-se. Entretanto, a Lei das Eleições garante ao candidato cujo registro ainda esteja pendente de confirmação judicial, o direito de “efetuar todos os atos relativos à campanha eleitoral, inclusive utilizar o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e ter seu nome mantido na urna eletrônica enquanto estiver sob essa condição”.

Essa hipótese ganhou destaque, pelo fato de aplicar-se a um ex-presidente da República, embora desde o ano 2000, oito candidatos presos tenham sido eleitos.

Em 2018, não se sabe como agirá a justiça eleitoral.

Outra indagação: os primeiros debates ajudaram a definição dos indecisos? Certamente, não.

A cautela e a moderação prevaleceram entre os candidatos.

Observou-se no debate da Band, que os principais “alvos” nas perguntas foram Alckmin e Bolsonaro. Admite-se o temor dos demais candidatos, de que os dois caminhem para o segundo turno.

Um terceiro, também em condições de segundo turno, seria Ciro Gomes, pelo poder de argumentação e conhecimentos demonstrados.

Por isso preferiram isolá-lo, o que já começou com o PT e PSB afastando-se do PDT.

Bolsonaro representa a polarização da extrema direita, com o discurso vigoroso de combate à violência, tema que aglutina o eleitorado.

Na largada parecia inadmissível a sua candidatura. Hoje é uma realidade, em crescimento.

Alckmin simboliza o “centrão”, cuja característica é não ter ideologia, nem convicções, mas apenas “interesses”.

Quem melhor aproveitou o espaço no debate da BAND foi Ciro Gomes, com a proposta de retirar devedores do SPC e recriar consumidores, aquecendo a economia. Sem dúvida, uma “luz” que poderá galvanizar simpatias.

Alckmin “pisou na bola” ao mostrar-se favorável a eliminação da gratuidade universitária.

Álvaro Dias parece meio perdido; Marina Silva repete o que já dizia em campanhas anteriores, sem demonstrar convicção; Henrique Meirelles não consegue apresentar-se como a melhor solução para a crise da economia; Cabo Daciolo e Guilherme Boulos “patinam” em teses populistas.

E o segundo turno?

Sabe-se que a corrida presidencial é curtíssima.

A maioria dos candidatos irá dispor de “migalhas” de tempo no horário gratuito, salvo Alckmin que usará 44% dos minutos de TV e receberá 48% do total do fundo público de campanha.

Mesmo assim, o carisma do ex-governador paulista, segundo José Simão da Folha, assemelha-se a “canja” de hospital.

Percebe-se que a polarização não é entre esquerda e direita, mas sim petistas e anti-petistas.

Se Alckmin não “vingar”, talvez a “surpresa” seja Haddad e/ou Ciro, disputando com Bolsonaro, o segundo turno.

Pesquisa da Datafolha registra que 30% dos eleitores afirmaram votar “com certeza” em um candidato indicado por Lula, enquanto 51% “não votariam jamais” e 17% votariam “talvez”.

Haddad tentará agregar a “herança do petismo”, inspirar confiança ao eleitor indeciso pela sua formação acadêmica e ser votado com a foto de Lula na urna eletrônica (caso não haja tempo de substituir).

Ciro dependerá de superar o isolamento que lhe é imposto, com apenas segundos na TV e rádio. Bolsonaro poderá ocupar o espaço do PSDB no antipetismo.

Como ele tem “simpatias”, mas não tem “apoios”, torna provável na “reta final” beneficiar-se do pragmatismo do “centrão”, cujo objetivo será chegar à antessala dos governos e não correrá riscos com Alckmin.

Em qualquer das hipóteses, o país estará dividido pós-eleição, dificultando a governabilidade.

É o caso de prever: salve-se quem puder!

Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, procurador federal nl@neylopes.com.br www.blogdoneylopes.com.br
As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
Ponto de Vista

Recent Posts

COTAÇÕES DO DIA

DÓLAR COMERCIAL: R$ 5,2170 DÓLAR TURISMO: R$ 5,4150 EURO: R$ 6,2280 LIBRA: R$ 7,1970 PESO…

10 horas ago

Em nota, Toffoli diz que eventual envio do caso Master à 1ª instância só será decidido após conclusão das investigações

O gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta quinta-feira (29) uma…

11 horas ago

Clínica veterinária é condenada após morte de gata por suspeita de intoxicação medicamentosa no RN

Uma clínica veterinária e uma fornecedora de medicamentos veterinários foram condenados após a morte de…

11 horas ago

Resultado da chamada regular do Sisu 2026 está disponível; saiba como consultar

O resultado da chamada regular do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2026 foi divulgado na…

11 horas ago

Influenciadores expõem pedidos em nome do BRB para tratar do caso Master nas redes

Influenciadores postaram nesta quarta-feira (28) e-mails enviados em nome do Banco de Brasília (BRB) com a…

11 horas ago

Astrônomos encontram planeta semelhante à Terra com 50% de chance de ser habitável

Astrônomos descobriram um novo planeta do tamanho da Terra e com chance de estar em…

11 horas ago

This website uses cookies.