A NECESSIDADE DE UMA CONSCIÊNCIA MORAL: O BRASIL EM BUSCA DE UM PROJETO DE ESTADO PERMANETE –
Quando o poder confunde sabedoria com relativismo, a moral pública se dissolve em conveniências
Nos tempos atuais, tornou-se comum ver governantes e formadores de opinião recorrerem a frases aparentemente equilibradas, mas que, em essência, escondem uma perigosa ausência de convicção moral. Quando um líder afirma que o mundo precisa “superar a polarização entre o bem e o mal”, o que parece um gesto de sabedoria revela, na verdade, uma confusão ética profunda, a de quem relativiza princípios em nome de uma falsa moderação.
A travessia moral da história
A história da filosofia ensina que o ser humano sempre foi desafiado a distinguir entre o justo e o injusto, o ético e o corrupto, o verdadeiro e o falso.
Desde Zoroastro, que via na dualidade entre Asha (verdade) e Druj (mentira) a base da ordem cósmica, até Santo Agostinho, para quem o mal é a “ausência do bem”, a consciência moral foi a bússola da civilização.
Aristóteles advertia que a virtude é o meio-termo entre dois vícios, mas jamais entre o bem e o mal. O que ele chamava de mesótes (moderação) é a prudência entre excessos, não a neutralidade diante da corrupção.
Mais tarde, Immanuel Kant definiria o mal radical como a escolha deliberada de submeter a moral à conveniência, o mesmo tipo de conduta que hoje contamina os discursos políticos.
E quando Hannah Arendt analisou o julgamento de Eichmann, enxergou algo ainda mais assustador: a banalidade do mal, o momento em que a ausência de reflexão ética transforma a injustiça em rotina burocrática.
O relativismo como método de poder
No Brasil, essa crise se manifesta em um cenário de relativismo institucionalizado.
As três esferas de poder, municipal, estadual e federal, operam muitas vezes sem um eixo moral comum. Falta ao país um programa de Estado permanente, capaz de sustentar princípios éticos acima dos ciclos eleitorais e das conveniências partidárias.
As fazendas públicas, que deveriam simbolizar o zelo, a probidade e a eficiência fiscal, tornaram-se campos de disputa por interesses pessoais e ideológicos.
A responsabilidade cede lugar à retórica. O discurso da justiça social se mistura à autopreservação política. E, nesse cenário, o Estado deixa de ser referência moral e se converte em cúmplice do caos.
A morte da verdade e o culto à conveniência
Friedrich Nietzsche advertiu que, ao “matar Deus”, o homem precisaria inventar algo para substituí-lo — e quase sempre escolhe o poder.
Quando a liderança pública confunde tolerância com indiferença, a moral cede lugar à estratégia, e a verdade se torna apenas uma questão de narrativa.
Essa anestesia ética é o terreno fértil onde floresce o que Alexis de Tocqueville chamou de despotismo suave: um Estado paternalista que, em nome da conciliação, permite tudo desde que nada mude.
Entre a prudência e a covardia
Não se trata de defender extremismos, mas de restaurar o sentido moral da ação pública.
A política deve ser o espaço da prudência, não da covardia.
A moderação só é virtuosa quando está ancorada em princípios; fora disso, é omissão mascarada de equilíbrio.
O país carece de lideranças que compreendam o peso ético de suas palavras e de instituições que sustentem coerência moral e responsabilidade pública.
Enquanto isso não ocorrer, continuaremos a confundir sabedoria com silêncio e civilidade com complacência.
O ponto de ruptura
A linha que separa o bem do mal não atravessa partidos, ideologias ou fronteiras institucionais.
Ela atravessa o coração de cada homem, como ensinou Alexandre Soljenítsin.
Mas o Estado — em todos os seus níveis — tem o dever de não apagar essa linha, sob pena de transformar a República em um terreno moralmente neutro, onde tudo se justifica e nada tem consequência.
Portanto, o Brasil não precisa de discursos moderados, mas de consciência moral e coerência institucional.
Sem um eixo ético permanente, nenhum projeto de desenvolvimento é sustentável.
Entre o discurso e a ação, entre o parecer e o ser, está o abismo onde o país insiste em tropeçar.
Enquanto a política continuar relativizando o que é inegociável, a verdade, a honestidade e a responsabilidade, continuaremos sendo uma nação que fala em valores, mas vive de conveniências.
Raimundo Mendes Alves – Advogado, Procurador aposentado e Vereador de São Gonçalo do Amarante/RN
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