A ARTE DE BEM ATENDER – Alberto Rostand Lanverly

A ARTE DE BEM ATENDER –

A sabedoria popular, através de dizeres imortalizados por gerações que se sucedem, é diariamente atestada, como no caso da assertiva: o primeiro contato, dificilmente será esquecido.

Independente da função ou cargo que ocupemos, é obrigação indeclinável tratarmos bem a nossos semelhantes. Esta receptividade pode ser caracterizada por um sorriso nos lábios, mesmo quando a resposta proferida seja não.

A Galeria Pajé, em São Paulo, é localizada no centro nervoso da cidade. Quinze andares, nos quais todos os tipos de muamba podem ser encontrados. Costuma-se afirmar que, de uma agulha a um avião tudo pode ser adquirido naquele paraíso fiscal. Elevadores, sempre subindo e descendo freneticamente, transportam milhares de sacoleiros de todos os quadrantes do Brasil que para ali acorrem na busca de concretizar seus sonhos de consumo. À porta, no andar térreo, dois homens organizam as filas. Vestindo ternos pretos, de corte impecável, mais parecem um desses deputados e senadores, que existem aos montes no país.

Aqueles profissionais demonstram serem treinados, ou melhor, talhados para o desempenho daquela função, extremamente monótona por sua repetitividade, e deveras cansativa por exigir uma permanente postura inadequada, vez que permanecem de pé durante toda a jornada. Contudo, em nenhum momento deixam transparecer tristeza, falta de paciência com as inúmeras perguntas que lhes são dirigidas ou grosseria com os que querem burlar a lei e a ordem do local. São felizes, sabendo-se responsáveis pela organização da entrada dos clientes, naquele espaço democrático.

Mas, nem sempre é assim. Não são raras as oportunidades em que se chega a uma empresa e, principalmente, repartição pública, nas quais nos deparamos com figuras sisudas, que parecem haver colocado a gentileza na poupança, esperando a hora apropriada para resgatá-la e, enfim, utilizá-la. São seres humanos até certo ponto dóceis, mas que externam infelicidade, pois deixam transparecer o incomodo de não estarem ocupando funções de engenheiro, médico, psicólogo ou advogado, mas, sim, de simples secretário, que, embora igualmente honrosa, parece menor, deixando aflorar todo o recalque que se encontra em seu coração.

De forma inadvertida, estes cidadãos esquecem que, até nas funções mais humildes em termos de titulação, fundamental é o esforço para executá-la bem e de forma altruísta. Os concursos públicos, que direcionam os aprovados a determinados postos, para os quais foram selecionados, independente da titulação que possuem ou em breve possuirão, geram indivíduos dolorosos, principalmente se estas têm mente fraca e, sobretudo, baixa auto-estima.

Um sorriso e uma boa receptividade a alguém que busca determinados serviços, é um verdadeiro cartão de visitas para os que chegam. Se os que atendem ao público teimam em permanecer no silêncio, que só irrita, devem ser deslocados para setores isolados da empresa ou repartição, pois, os seres racionais devem ser tratados com respeito e dignidade.

 

 

 

Alberto Rostand Lanverly – Presidente da Academia Alagoana de Letras

 

As opiniões contidas nos artigos são de responsabilidade dos colaboradores
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