Nos últimos meses, o setor de energia elétrica vive em meio a um mar de números. Por qualquer ângulo que se olhe, as projeções e estimativas trazem uma série de ameaças: a baixa quase irreversível dos reservatórios nos próximos meses; o risco iminente de corte considerável de carga; um Preço de Liquidação das Diferenças (PLD) médio para o ano acima de R$ 500/MWh; tarifas mais caras nos próximos anos; e uma conta bilionária que cairá no colo de consumidores e contribuintes a partir do próximo ano.
Diante de um cenário caótico como esse, o que fazer? Esperar que o período seco, que vai de maio a outubro, traga chuvas cada vez menos prováveis? Ou agir de imediato para evitar o pior dos mundos, que seria o racionamento com uma elevada contenção de carga? Para a maioria dos especialistas do setor, o governo precisa enfrentar a questão de frente – e agir logo. O caminho: mudar o discurso de que o risco de racionamento “não existe, é baixíssimo ou baixo” e iniciar uma campanha de redução voluntária do consumo de energia já.
É verdade que, em ano eleitoral, a decisão fica mais complexa. No entanto, em vez de olhar somente para as urnas, deve-se focar nos efeitos nefastos que o rigor de um corte compulsório pode trazer para a economia brasileira, já combalida. Para quem tem memória curta, é bom reler o que aconteceu em 2001, quando o racionamento provocou um impacto negativo estimado em quase 2% do PIB.
Como o período úmido foi bastante desfavorável, a única alternativa possível para adiar a decisão seria ter um inverno chuvoso. No entanto, não há indícios de que isso venha a acontecer. A National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), órgão norte-americano que faz medições das condições atmosféricas e dos oceanos, por exemplo, reviu para baixo a possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño, que passou de 50% para 30%.
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