PEGA A MOCHILA E “SIMBORA” – Flávia Arruda



PEGA A MOCHILA E “SIMBORA” –

Algumas peças de roupa, um ou dois livros para as horas de ócio, celular conectado à internet, bateria extra e carregador, meia dúzia de ideias e uma porção de coragem na mochila. O destino? Incerto. Apenas o app de viagens como guia. De certeza, tão somente a vontade de recomeçar, disparar o gatilho das vontades e desejos pelas aventuras do desbravar terras, sonhos e fantasias.

Vamos botar o pé na estrada, virar páginas, cruzar esquinas, avenidas, becos e vielas. Vamos cruzar mundos, virar mundos, andarilhar sem ter hora para voltar. Nunca é tarde para vivermos novas experiências, conhecer lugares inimagináveis e, muitas vezes, inabitáveis.

Sim, experimentar mundos e gostos exóticos, entre céus e terras, por mares e cavernas, provar os extremos e suas ambiguidades, desafiando velhos conceitos sem rotular, sem regras, apenas pelo prazer de se permitir viver o outro lado da vida. Ah, não pode faltar na mochila os roteiros da aventura, conhecimentos e muita diversão. Não pode faltar apetite e muita disposição para enfrentar situações árduas e adversas. Para isso, precisa-se de perseverança e determinação.

Não pode faltar o prazer de viver situações adversas como, por exemplo, caminhar nas praias desertas ou se sentir espremido num ônibus lotado de um grande centro urbano, visitar lugares exóticos, saber saborear suas iguarias, permitindo-se provar novos sabores, deliciando-se com cada prato servido, degustando cada pedaço posto na boca.

Pois é! Que tal provarmos o único prato proibido de comer pelo imperador do Japão? Ando me perguntando se ele já caiu em tentação e saboreou um baiacu. Pois, só provando para descobrir o sabor dessa iguaria, sem falar no frio que deve dar na barriga a cada pedaço provado, acompanhado pelo receio do que poderá acontecer.

Da mesma forma que, só provando, se descobre o gosto do sanduíche Francesinha que, na verdade, é de origem portuguesa. Um sanduiche de dois andares, com queijo derretido e carne de vitelo, regado com delicioso molho de cerveja e tomate… Agora, enchi a boca d’água.

Sigamos ao sabor do vento nas proas das embarcações que carregam os feitiços das sereias, dançando no vai e vem das ondas; viajemos nos mares revoltos em busca das calmarias das manhãs que acalentam as recordações nas construções dos achados de memórias. Fortalecendo os presentes, escrevendo novas histórias.

Mas, se o mar não estiver para peixe, podemos zarpar e ancorar na próxima ilha, bem que poderia ser Fernando de Noronha; e, assim, sentir o ar puro da natureza nativa, com banhos refrescantes e revigorantes na cachoeira do Sancho; andar a cavalo e contemplar a baía dos golfinhos. Acho que seria um bom momento para iniciar uma alimentação natural, experimentar a vegana.

Poderia ser a macrobiótica… Nessa nova fase de novos experimentos, poderia mesclar um pouco de cada uma delas. Ah, que me perdoem os especialistas, mas a intenção está pautada naquilo que escrevi lá no começo desta crônica: provar os extremos e suas ambiguidades, desafiando velhos conceitos, sem rotular, sem regras, apenas pelo prazer de se permitir viver o outro lado da vida.

Sair à toa, sem destino, sem regras, apenas vivendo e provando o outro lado daquilo que nunca foi vivido, sentido ou explorado. Levando na mochila somente os sonhos e fantasias, quebrando os próprios tabus, fugindo da inércia do comodismo social. Ir e vir e poder ser feliz na simplicidade da vida, sem filtros, sem registros e sem publicações.

 

 

Flávia Arruda – Pedagoga e escritora

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