CRÔNICA DE UM APRENDIZ DE BURLE MARX – Luiz Serra



CRÔNICA DE UM APRENDIZ DE BURLE MARX –

Brasília, Plano Piloto, ainda há espaço livre do legado urbanístico de Niemeyer e Lúcio Costa. Na quina externa do prédio, surgiu a ideia de criar um micro espaço para situar plantas menores descartadas de extensões maiores da quadra. Pacientemente a cada dia de caminhada, vou recolhendo espécime da flora pisoteados ou em vias de serem arrancados por máquinas de cortar grama. Com prestimosa ajuda do amigo síndico Jose Lacerda, de Pitombeiras, aprazível recanto da Paraíba, seguimos plantando essas preciosidades em um simples jardim para os olhos e a alma!

Após plantá-los comecei a verificar que a adaptação era rápida, com a precisão da água, em regar conveniente e diariamente, seja tempo de seca, seja mesmo no verão de agora. A chuva ocasional é verdadeira festa para elas!

Aí nasceu ela, uma allamandra cor do sol, depois outras, quase juntas, as canelas-de-ema do cerrado. A admiração começou a se impor diante do lazer de um simples aprendiz de Burle Marx, como a mim referiu o caríssimo vizinho Paulo Borges, aposentado da AGU. A gratificação pessoal, além de ver pessoas que passam e fotografam ao celular.

Para prover a sombra ao canto do jardim, plantei um ipê-amarelo, já está respondendo bem aos cuidados, em três anos deverá distribuir a sombra necessária a algumas espécies, principalmente as rosas que se adaptam à obscuridade. Luz e sombra, equilíbrio à vida!

Além de atrair pássaros, como canários-da-terra e sabiás-laranjeira, completando o ciclo natural no pequeno mundo. Afinal “os pássaros conversam pela música”, como expressou Villa-Lobos.

Sigamos, pois, este tempo de plantar flores, se possível, criar alguma coisa que preencha o espaço de novos desafios que a esta nova era nos sugere. Criar vem do pensar! O mais belo jardim do mundo é aquele que está na quina do nosso prédio!

Que venham cássias e orquídeas, amarílias, rosas de todas as cores, o colorido da vida, da humanidade e do Brasil, que faz muito bem aos olhos de quem passa! E antídoto perfeito para as preocupações mundanas!

 

 

 

 

 

Luiz Serra – Professor e escritor
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