CENTRO E CORAÇÃO DA BÍBLIA – Alberto da Hora



CENTRO E CORAÇÃO DA BÍBLIA – 

A narração do advento de Jesus, desde a sua anunciação, concepção, até os lances dramáticos do seu nascimento explicam, de maneira histórica ou apenas doutrinária, o seu caráter espiritual e divino. Porém, o seu real e verdadeiro significado está no ministério que exerceu nos poucos 33 anos de vida terrena, desde quando, encarnando o espírito de Deus, pelo reconhecimento da relevância das antigas revelações e profecias, sentiu-se chamado para a missão pela qual entregou a vida, a fim de revelar ao mundo a verdadeira essência e os propósitos do Criador. Assim, a Trindade Santa, representada pelo Deus supremo, onipotente, onisciente – o Pai – completava-se em Jesus, por encarnar a missão de Filho, e por reconhecer, de maneira consciente e verdadeira, o onipresente Espirito Santo divino.

O homem que mudou a história da humanidade, que ensinou o amor incondicional é, às vezes, considerado fundador de uma religião.  Ele não criou nem organizou seitas, grupos ou instituições, mas, em algumas situações, é interpretado assim. E também a maneira como alguns líderes, arvorados em seus representantes, apresentam Jesus ao mundo é apenas o pretexto para a realização das suas próprias ambições, e a história mostra, de maneira clara, a face brutal dos eventos que marcaram e identificaram alguns períodos de violência e intolerância que caracterizaram a dominação exercida em nome do Filho de Deus.

É uma deturpação da essência do cristianismo nascido na Judéia, entre os discípulos de Jesus, após a sua morte, como celebração da sua memória, nos cemitérios subterrâneos – as catacumbas – quando essa igreja nascente não possuía cidadania no Império Romano e era ainda perseguida e considerada herética dentro do judaísmo. Cresceu e propagou-se graças ao trabalho missionário de Saulo de Tarso, membro da seita judaizante dos fariseus, perseguidor implacável dos seguidores do Messias e alcançado por uma reveladora e transformadora visão, a caminho de Damasco, quando ouviu a voz do Mestre, indagando sobre as perseguições. Submetido ao processo de iniciação, inclusive o seu batismo, adota o nome latino de Paulo e inicia a pregação do Evangelho por todo o Oriente Médio, parte da Europa e Asia Menor.

Se o caráter do Deus Todo-Poderoso, Compassivo, Justo e Longânime nos foi revelado e representado pelo Jesus tornado Filho, a face e o compromisso desse mesmo Jesus tornou-se clara e eficaz através da ação missionária do apóstolo Paulo, que apresentou aos chamados gentios o Salvador enviado, o Cristo que ressurgiu da morte para confirmar a sua natureza divina. Nas suas 13 Epístolas, entre ensinamentos e exortações dirigidas às igrejas e aos seus líderes, ele trata pincipalmente da natureza fundamental da obra de Cristo. Foi esse Jesus, o Cristo, materialização do Espírito Santo de Deus entre os homens, que, nascido no Oriente, influenciou e dividiu a história do Ocidente, abrindo os olhos da humanidade para o seu real papel e lugar no Universo.

O escritor Henry H. Halley descreve Jesus como o homem mais bondoso, mais terno, mais gentil, mais paciente e mais compassivo que já existiu. Prodígios, feitos e milagres foram suaves e puras emanações do seu caráter divino e excepcional. A sua vida de total entrega e submissão nos remete à compreensão de um amor incondicional que nos conduziria a um mundo de universal fraternidade. Centro e coração da Bíblia, ele foi simples, como Deus é simples. A incompreensão e os interesses humanos é que teimam em complicar a maneira cristalina e real como Ele se revela. E, convenhamos, não há nada de mágico, misterioso ou complexo na nossa relação física e espiritual com o Espírito do Criador de todas as coisas.

 

 

 

 

Alberto da Hora – escritor, cordelista, músico, cantor e regente de corais

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