18 de julho de 2017

DE BRANCO – José Delfino

DE BRANCO – É fácil pensar. Só pensar. Entretanto, por no papel o pensamento da forma que você vê, nem tanto. Pois é difícil superar o sentimento escondido nele que, às vezes, você até não gostaria de ser revelado de forma tão explícita. Daí a necessidade de escamotear. Daí o […]
11 de julho de 2017

DE POESIA – José Delfino

DE POESIA – 1 – HUM Quando as rimas se abrem Os lábios se entendem  Onde o sal e o açúcar se fundem E um pouco ao salobro se sabem  Escoltando intenção e escolha Ao teu travo de mate e se atrevem Num amargo sabor que lembra folha 2 – […]
4 de julho de 2017

DE APARIÇÕES – José Delfino

DE APARIÇÕES – Dizem que quando se avista algum ser de outro mundo não se discerne bem o que se está vendo, pelo fato de não se saber nem mesmo se eles realmente existem. De repente, entraria em livre curso uma parte do nosso cérebro onde a ciência ainda não […]
27 de junho de 2017

DE BARRA PESADA E ERRO GENÉTICO – José Delfino

DE BARRA PESADA E ERRO GENÉTICO – Entrei no centro cirúrgico e por força do meu ofício sempre atuar no ataque, naquela manhã de terça-feira me vi em posição de defesa e torando um aço. Despi-me, calcei os propés, pus o gorro cirúrgico (e a máscara, desnecessária, por puro reflexo), […]
20 de junho de 2017

DE POEMAS HERMÉTICOS – José Delfino

De poemas herméticos (que uns acham que são e outros não) Vênus no espelho (Vendo Velázquez) Deitada  no quarto em penumbra Entre lençóis de linho encoberta Enroscada desnudado em ter-te Inalcançável como uma asa Refletida  faz-te e semeada Em chão de pedras batidas Pontos de luz fogaréu ao longe No quadro antigo […]
14 de junho de 2017

DE PESADELO ETERNO – José Delfino

DE PESADELO ETERNO – Fazia tempo que eu não ia lá. A última vez foi em 1979 quando eles invadiram o Afeganistão e a população não tinha quase nada para comer, consumir ou se informar, a não ser as noticias filtradas dos jornais estatais ou nos livros doutrinários de distribuição […]
23 de maio de 2017

DE MÉDICO E DE POETAS COLECIONADORES DE FUSCAS – José Delfino

DE MÉDICO E DE POETAS COLECIONADORES DE FUSCAS – “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo. Perdeste o senso!” Não é tão fácil, meu caro, controlar o pensamento; suas interrupções, suas hemorragias agudas aos borbotões; ou arguir o que estaria por vir quando ele aparece sem censura ou aparas; ele simplesmente chega […]
16 de maio de 2017

UM PEQUENO CONTO GÓTICO – José Delfino

UM PEQUENO CONTO GÓTICO – Por lá as convenções do tempo são tão repetitivas que quase passam despercebidas. As quatro estações do ano estão sempre circunscritas a períodos de seca ou cheia acompanhadas de um calor inclemente. O sol nasce de madrugada. Sempre escurece à tardinha. Folhas secas , emburradas, […]
9 de maio de 2017

DE POEMA E ABSTRAÇÃO – José Delfino

DE POEMA E ABSTRAÇÃO –   I Por si só não pesa Feito lágrima no olho Como gota de vela Arde em chama de início Como sólido desce O líquido vence E os lábios criam asas Quando em tom menor               Raia na úvula rouca Insones dós arredios de dor E nela voraz e insólita […]
25 de abril de 2017

DE APRENDIZADO E POLIMENTO – José Delfino

DE APRENDIZADO E POLIMENTO – O tempo parado. Bastante frio na rua. A neve já começava a cair sem pudor. E eu, sem nada saber, na sessão das 22:00h do cine-clube “Chapter”, vendo pela primeira vez na vida, um filme de John Carpenter. De repente , desaparece o som do […]
18 de abril de 2017

DE POEMA (QUASE) EM PROSA – José Delfino

DE POEMA (QUASE) EM PROSA – Ah as palavras…   Num  vai e vem em  minha mente se  abrem e fecham em  copas, como lábios. Como  portas, como dedos de  mãos que vagas imitam, em arco envergam-se. Sobem e descem às folhas de papel, se curvam se rendem e escrevem […]
11 de abril de 2017

DE COISAS SIMPLES E COMPLEXAS – José Delfino

DE COISAS SIMPLES E COMPLEXAS – De manhã alguns oram ao acordar; outros, não. Detonam um copo d´água morna com limão para alcalinizar o organismo; engolem, quase de forma inconsciente, alguns comprimidos para que os parâmetros vitais continuem sob controle (as evidências das respostas a eles nos forçam a acreditar […]
4 de abril de 2017

O ANESTESIOLOGISTA – José Delfino

O Anestesiologista que não tem pulso ou capacidade rápida de decisão não sobrevive. Funciona assim: acontecendo uma parada cardíaca numa cirurgia ele tem poucos segundos pra fazer o coração bater novamente. Não interessa saber qual a causa da intercorrência. Depois de resolvido o que é emergente é que se inicia […]
21 de março de 2017

DE PAPO NUM SALÃO DE BELEZA – José Delfino

DE PAPO NUM SALÃO DE BELEZA – Dei um “break”, um final de manhã desses. Um pulinho no salão de Getúlio, quase ao meio-dia como de hábito, para por um basta à esta vasta cabeleira de terceira idade. A verdade é que conversa vai, conversa vem, entre os sons caóticos […]
14 de março de 2017

DE AMOR AO CINEMA – José Delfino

DE AMOR AO CINEMA – Comecei ficar vidrado em cinema quando, por volta dos 6 anos de idade, tia Denise, solteirona até hoje, me levou ao cine Rex em Caxias , no interior do Maranhão, nas proximidades das barrancas do rio Itapecuru. Ali, duas vezes por semana, aprendi a gostar […]
7 de março de 2017

DE ARTE DO OFÍCIO – José Delfino

DE ARTE DO OFÍCIO – Certa vez me disse um grande amigo meu, Dr. Genival Veloso de França, que a medicina outrora foi revestida de veneração quase divina e hoje causa muita contestação. Pura verdade porque praticá-la atualmente é bem diferente do que antigamente. Talvez, por conta da constante reviravolta […]
21 de fevereiro de 2017

E AÍ , SIRI ? – José Delfino

Tentamos e não conseguimos viver na Utopia, o país imaginário de Thomas Morus (1480-1535), escritor inglês, onde um governo organizado da melhor forma possível, proporcionaria ótimas condições de vida a um povo equilibrado e feliz. Vivemos sim, e hoje paradoxalmente, um mundo a sugerir uma sociedade futura caracterizada por condições […]
23 de janeiro de 2017

DE ALMA EMPEDERNIDA – José Delfino

DE ALMA EMPEDERNIDA – No espaço-tempo específico, onde estou, fico. E a memória vestigial, em gestação, se especifica, se sincroniza e se adapta. E sua estrutura atemporal, como um temporal, me domina. Mineral, carvão, sou. A pedra que pensa e raciocina. Há vinte bilhões de anos, num universo em expansão, […]
10 de janeiro de 2017

DE UTILIDADE PÚBLICA (EMBORA NEM PAREÇA) – José Delfino

DE UTILIDADE PÚBLICA (EMBORA NEM PAREÇA) – José Delfino   Tomei conhecimento que 2017 vai ser campeão de feriados e fins de semanas prolongados. Bem-vindo lazer que aumentará, paradoxalmente, a fadiga dos trabalhadores, dizem os cientistas. O que me remeteu à batalha dos relógios. O de pulso, adereço colado ao […]
2 de janeiro de 2017

DA DIFICULDADE DE ENCARAR CADA ANO – José Delfino

DA DIFICULDADE DE ENCARAR CADA ANO –   Muito me incomoda falta de liberdade . Faz-me mal a falta de sentimento e noção de dever de estado. Repugna-me o regime totalitário que implica distribuição de pobreza. Nele, a história implacavelmente ensina, uma minoria controla o poder, se locupleta e as […]