A MÁSCARA CASCUDIANA – Diogenes da Cunha Lima



A MÁSCARA CASCUDIANA –

A máscara salva. Transformou-se em símbolo da luta contra essa cosmopolização selvagem, o vírus. O seu valor simbólico tem raízes no passado, quando, ocultando a face, era usada em danças sagradas, manifestação do divino.
Se não é possível atinar para que vivemos, todo o esforço consciente é tentar sentir como vivemos, ensina Câmara Cascudo.
O Mestre potiguar continua a ser condutor espiritual de nossa gente, dos brasileiros. Senti que ele não poderia ficar ausente, silenciar nesta crise de pandemia.Mais ainda, levar a efeito o seu papel social, mostrando a nossa responsabilidade pessoal para interagir com os outros.

Na Segunda Guerra Mundial, Câmara Cascudo exerceu a função de Chefe da Defesa Civil. Com o risco de invasão nazista,orientou todo o trabalho de defesa, desde o blecaute até a construção de abrigos subterrâneos.

A Daliana, a admirável neta do Mestre brasileiro, lembrou nas redes sociais a vivência do avô, na terrível pandemia, Gripe que há cem anos era chamada de Gripe Espanhola. A doença, mais terrível do que a atual, dizimou um quarto da humanidade. Aqui, por qualquer razão, infectou adultos jovens. O jovem Cascudo era frequentador da casa de Henrique Castriciano, o vice-governador do Estado. O governador Ferreira Chaves decretou, como se fez agora, o fechamento das escolas, cinema, teatro e a proibição de missa. A moléstia foi disseminada e atingiu um terço da população natalense, na época, menos de trinta mil habitantes. Quem experimentou uma epidemia mais letal deve ensinar.
Serve, nos dias de hoje, a orientação Cascudiana: “É uma enfermidade felina, sorrateira, dissimulada, sinuosa. Afinal de contas, conclui: “Gripe vem de Gripper, agarrar, apanhar lentamente com unhas afiladas”.

Daí, não foi difícil imaginar que o céu permitira que a sua Cidade entendesse a sua palavra, e passasse a usar a máscara protetora. Ele amava tanto a nossa terra que,por vezes, assinava Luis Natal.

Convidei o artista Fábio Ojuara, em grafite, capitão de longo curso, para que fizesse um painel ilustrativo. Com ele participou Lenno Lie, artista de nascença (é filho de Marcelo Bob). Eles participaram ativamente do Festival Brasileiro em Gmünd a Cidade das Artes. Natal também merece idêntica designação.

O Superintendente do Banco do Brasil, Gustavo Arruda, autorizou a pintura no alto muro do estacionamento do Banco do Brasil na Cidade Alta. A boa qualidade artística dos autores é atestada pela valorização dada pelos austríacos.

Um verso do poeta de minha preferência,Pablo Neruda, diz: “Ponhamo-nos, cada um,máscaras vitoriosas”. E Jorge Luiz Borges, em poema, ressalta a singularidade: “A bela máscara mudou, mas como sempre é única”.

Câmara Cascudo, profundo pesquisador e polígrafo, escreveu sobre a máscara e demonstrou o seu uso universal. Nas grutas paleolíticas da França e da Espanha existem desenhos com homens mascarados. Acrescenta: “Convergem para a máscara as superstições do duplo, outro-eu, eu-subjetivo, atuantes na sombra e no reflexo”.

O quadro com orientação Cascudiana comanda: “Proteja-se e Proteja os Outros”, ganhou a mídia e aumenta a sua difusão em outros países, como: Reino Unido, França, Áustria e Equador.

O painel da máscara Cascudiana está ajudando na resistência da população ao inimigo invisível.

 

 

 

Diogenes da Cunha Lima – Advogado, Poeta e Presidente da Academia de Letras do RN

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